Cenário Macro

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O mundo continua com inflação alta devido a todo cenário global complexo. O FED (banco central americano) e, consequentemente, todos os outros bancos centrais, vêm aumentando os juros com o objetivo de diminuir a demanda para reduzir a inflação.

Uma vez que o FED não pode resolver o problema do lockdown na China, não pode fazer nada para resolver a guerra na Ucrânia, a única coisa que pode ser feita é aumentar os juros e assim aumentar também o custo de capital e desestimular a economia.

O FED neste momento também passa por um problema de credibilidade. E por quê?

No ano passado, eles disseram que a inflação era transitória e que iria se resolver naturalmente, que a inflação era só por problemas logísticos pós-covid. Porém,  a inflação está cada vez mais forte.

Então, notavelmente, eles erraram. E, provavelmente, vão errar de novo.

Errar de novo no sentido de que, por não acharem que a inflação era persistente, não aumentaram os juros antes e estão atrasados. Agora, talvez eles cometam o erro de aumentar demais os juros e de forma muito rápida.

A economia tem uma série de fragilidades que, associadas ao aumento de juros e a enorme impressão de dinheiro para em seguida enxugar o capital do mercado, causam um choque.

Dessa forma, a grande discussão agora é se essas medidas vão causar uma recessão ou não.

Eu acredito que vai.

Na Europa é bem provável que haja uma recessão mais profunda do que nos EUA.

O impacto vai depender da situação de cada país, mas no geral, as medidas dos bancos centrais vão causar uma recessão no mundo todo.

Outra questão é sobre o quanto isso vai, de fato, diminuir a inflação.

Com o aumento de juros e o aperto monetário, com certeza vai reduzir a demanda, mas existem muitas variáveis que ninguém tem como saber. Como por exemplo:

O lockdown na China.

Eu acredito que vai continuar tendo lockdown na China. A vacina deles é ineficiente, principalmente para as novas variantes como a Ômicron, que é o vírus mais transmissível da história. E como a população chinesa segue a política de covid zero, ninguém por lá  tem imunidade natural.

A situação da China é muito complicada e tudo isso é muito inflacionário.

O cenário mais provável é que a redução da demanda dê uma boa baixa na inflação, mas se o FED voltar a estimular a economia – o que ele pode fazer se entramos em recessão – a inflação alta deve voltar.

Isso porque vai continuar o processo de desglobalização onde os países estão migrando a produção da China para países mais próximos e amigáveis, também continuam as questões geopolíticas que a qualquer momento podem aumentar o preço do petróleo, também o problema do gás natural na Europa.

Enfim, são muitos problemas acontecendo e a recessão infelizmente parece ser o cenário mais provável, mas vamos acompanhar os próximos capítulos. 

Vamos agora para o gráfico ver como todo esse cenário complexo está afetando os preços.

Começando por DXY – ETF de dólar contra as principais moedas, mostrando uma forte alta. E com o dólar alto, normalmente, as correlações apontam Bolsa e ativos de risco para baixo.

Dificilmente vamos ver ativos de risco indo bem com o dólar forte.

Depois do pico da Covid, o preço do dólar caiu e foi o momento onde os ativos de risco como cripto performaram muito bem. Porém, em um cenário de aversão ao risco, o dólar sobe.

Agora um gráfico interessante é o EURUSD – Euro cotado em Dólar.

Comparando em paridade com o Real, geralmente o Euro é bem mais caro e o Dólar mais barato. Agora vemos em praticamente 1:1.

E o Euro rompeu uma mínima, vamos ver se vai fazer um pullback (retorno).

Me parece uma oportunidade interessante para uma operação, porque toda macroeconomia apresenta a zona do Euro muito fragilizada com o péssimo manejo da questão energética. Eles dependeram demais da Rússia e agora estão nas mãos dela e do controle da emissão de gás natural.

Além de ser um continente velho e já vir decaindo, tendo que aumentar juros. E com toda a pressão inflacionária mais a questão energética, faz com que em breve tenham que fazer racionamento de energia e isso é muito ruim para a economia, devendo entrar em recessão.

A zona do Euro não tem condições de aumentar tanto os juros quanto os EUA. E dessa forma, o dinheiro então vai para o Dólar.

Ou seja, todos os fatores macro apontam que o preço do Euro cotado em Dólar pode chegar a 0,90 ou 0,80 centavos e acabou de romper um suporte importante.

Acredito que é uma oportunidade de trade interessante com um stop logo acima. Se romper essa resistência, no curto prazo cancela o trade.

Vamos ver se rompe de novo, mas rompeu bem. Está com um rompimento bonito no gráfico.

Agora o USDJPY – o dólar cotado em Yen japonês continua em plena tendência de alta com o banco central japonês imprimindo dinheiro para manter artificialmente os juros baixos e provocando uma alta muito forte de quase 20%.

Entretanto, para um trade, acredito que já está muito esticado.

A qualquer momento uma mudança na política pode causar um short squeeze (movimento brusco de aumento significativo no preço de uma ação), então é arriscado.

USDBRL – o Real cotado em Dólar vem apresentando uma forte alta. Chegamos a ver uma mínima na faixa de R$4,58 e agora já está em R$5,42.

Quando estava em R$4,84 e rompeu o suporte, lembro que enviei um e-mail contando que estava se abrindo uma janela de oportunidade para quem gostaria de dolarizar o patrimônio.

Claro que não tinha como saber até onde iria cair e foi até R$4,58. 

Agora, ainda vejo potencial para subir mais e testar a região dos R$5,75. Entretanto, já não está com um preço tão atrativo para dolarizar o patrimônio.

O Brasil foi um dos países que se antecipou e aumentou os juros rápido, mas que agora não está muito favorável.

Em relação ao TLT – Tesouro com títulos de 20 anos nos EUA, o que se vê é que os juros de 10 anos US10Y estão subindo e a mesma coisa nos juros de 30 anos US30Y, o que faz com que os títulos caiam.

É a correlação inversa.

Quanto mais aumentam os juros, mais os títulos atuais caem.

Vemos uma queda muito bruta do tesouro americano e acredito que TLT esteja iniciando o processo de formar o fundo.

SP&500 apresentando uma lateralizada depois da queda, e também um repique o que é normal.

Mas acredito que tem espaço ainda para testar a faixa entre USD 3200-3000 ao longo do segundo semestre se houver a quebradeira na economia, como tudo indica que pode acontecer.

Talvez ainda tenha espaço para mais repiques até que novas notícias ruins cheguem.

O que é apenas questão de tempo em um cenário com aumento de juros e aperto monetário. A qualquer momento algum setor pode quebrar.

Talvez pode ser que saia algum resultado que diminuiu a inflação, volte um certo otimismo por acharem que o problema resolveu, vem um repique de alta, mas os problemas estruturais vão continuar. 

Enfim, qualquer movimento de alta é uma oportunidade para shortear (operar vendido).

Em Nasdaq, não é muito diferente. O gráfico está mais fraco ainda.

Possivelmente, pode vir a testar a região dos 9500 pontos. Vamos continuar acompanhando até onde tem potencial para chegar.

O Ouro também está bem fraco. E um dos motivos, acredito que seja porque o dólar está muito forte.

Para quem quiser tentar um trade, o gráfico do Ouro vai buscar um suporte importante.

Na hora que mostrar um sinal de reversão perto do suporte, pode ser uma entrada interessante em um trade de reversão.

Enquanto o dólar estiver forte, acredito que não vamos ver uma alta significativa no Ouro.

Quando o dólar começar a perder força e a inflação ainda estiver alta, podemos ver uma boa alta no Ouro.

Agora XLE – ETF do setor de energia. Corrigiu bastante, o que pra quem busca um trade de reversão pode ser uma entrada interessante.

Segue testando acima da média móvel de 200, vemos um candle de reversão, então hoje mesmo, 06/07, dá pra entrar.

Acredito que a tendência macro do setor de energia continua forte. É um setor que passou por muito tempo sem investimento e agora está faltando energia.

O petróleo está em alta, gás natural em alta. Então a tendência de alta continua.

Entretanto, como já subiu bastante no ano, tem espaço pra cair mais. Vamos acompanhar.

No curto prazo pode vir uma queda, mas a mudança estrutural econômica favorece o preço do petróleo mais forte e a tendência de alta deve retomar em algum momento.

E após uma correção é uma oportunidade de entrada.

XLP – ETF de consumo de base, que faz parte dos setores defensivos que não reduzem tanto com a inflação porque as pessoas cortam mais o que não é tão necessário.

XLP está em uma lateralização enquanto SPY estão em pleno bear market.

Se compararmos XLP/SPY, vamos ver XLP em tendência de alta.

O que a gente costuma ver em bear markets, por exemplo no auge do covid, em março de 2020, foi uma alta de 22%, depois a situação piorou, então veio a impressão de dinheiro e o mercado todo foi pra cima e, nesse cenário, claro, o SPY performou muito melhor.

Normalmente, essas empresas não têm uma margem muito alta de lucro, não são empresas que explodem, mas que têm lucros consistentes por se tratar de um consumo necessário.

Então isso é clássico em bear market e são oportunidades da ponta compradora, ou seja, para operar  long&short durante bear markets.

VNQ – setor imobiliário que vem sofrendo porque com os juros mais altos fica mais difícil para comprar imóvel.

Acredito que tem mais espaço para queda.

Ações de tecnologia.

Google em plena tendência de baixa assim como Nasdaq.

Empresas como Google e Microsoft subiram tanto ao longo anos e ficaram tão caras que, apesar de serem excelentes empresas e serem absurdamente lucrativas, apresentam mais espaço para correção porque chegaram a valuations muito altos.

Mesmo sendo empresas muito boas, tem espaço para mais correção.

USOIL – Petróleo ainda em tendência de alta, com um suporte importante na região de USD 92.

Se perder essa região de USD 92 e ir abaixo da média móvel de 200, tecnicamente, abre espaço para mais correção.

Porém, há um jogo geopolítico muito grande.

Alguns países estão tentando impedir os navios russos de levar petróleo para a Índia mais barato. Então, é um jogo geopolítico pesado que, a qualquer momento, pode fazer o preço do Petróleo disparar para cima, apesar da recessão.

Há muito risco geopolítico e eu não arriscaria entrar vendido em petróleo.

ARKK – ações de crescimento.

Apresentou um repique forte, o que é natural dentro de uma tendência de baixa e ainda tem espaço para testar até os USD 52, vamos acompanhar se chega lá.

Entretanto, se for pra apostar em um lado, seria mais pra short (vendido).

Chegando em cripto.

BTCUSD – O Bitcoin vem segurando a região entre USD 19-20k.

O que é normal. Eu espero uma acumulação e se o mercado reagir um pouco mais positivo, tem espaço pra testar a região dos USD 25 e quiçá até dos 28k.

Mas até agora, o Bitcoin não mostrou muita força, vamos acompanhar.

Talvez precise de alguma notícia de um cenário mais leve nas próximas semanas para vermos o Bitcoin subir um pouco mais.

Porém, com todas as complicações do cenário macroeconômico mundial, com juros altos, aperto monetário e toda questão geopolítica, em algum momento quando quebrar algum setor, a tendência é para baixo.

É pouco provável que tenha formado o fundo do Bitcoin.

Acredito que ainda vamos ver o Bitcoin testar a região dos USD 13k.

Talvez leve alguns meses para a quebradeira econômica começar a acontecer, mas não tem como sustentar uma alta do Bitcoin com esse cenário macro atual.

A única chance disso reverter, seria uma mudança completa do cenário macro para melhor. Com a resolução da guerra, com a resolução do lockdown na China, enfim, acontecimentos desse nível e que parecem bem pouco prováveis.

Uma nova alta sustentável só quando a situação macro melhorar.

Em algum momento vamos ter uma oportunidade muito boa de compra no Bitcoin, mas acredito que ainda não é a hora. Por enquanto, qualquer movimento de alta é mero repique.

ETHUSD – Ethereum, diferente do Bitcoin já perdeu a máxima de 2017-18, testou como resistência, agora está repicando e pra shortear é um bom momento, está bem fraco.

Em algum momento deve perder o suporte, mas é preciso um catalisador mais negativo para perder a região dos USD 950.

Acredito que não vai perder tão fácil porque é um suporte importante.

DEFIPERP – DEFI está bem fraco, em plena tendência de queda. É um ativo bem volátil, então, é natural ver um repique forte, chegou a subir 48% em alguns dias.

Está repicando, mas acredito que a qualquer momento que surgir um catalisador mais forte de baixa, deve perder a região dos USD 2100.

GST foi provavelmente o segundo melhor trade isolado da minha carreira quando perdeu o nível na faixa dos USD 2,40 e depois dos USD 2.

Deu entrada e uma queda de 90%.

Estou até agora no trade e em alguns momentos quando esticou para baixo, eu diminuí a exposição.

Enfim, um trade que já deu 70 mil dólares de lucro.

Trata-se de um jogo nem um pouco sustentável, que tem impressão ilimitada do token GST.

Ganha-se dinheiro para correr. Eles imprimem GST e pagam as pessoas em GST.

Quando tem muita gente entrando, o preço sobe, chega uma hora que deixa de entrar gente nova, então é preciso imprimir moeda para pagar todos os jogadores (as pessoas que correm).

É como um banco central da Argentina, ou da Venezuela que imprime dinheiro alucinadamente para pagar todo mundo, e então o dinheiro perde valor em dólar.

Agora está na faixa dos USD 0,10 e, acredito que já está no final do trade.

Aproximando perto de USD 0,01 será a fase final do trade. Ainda dá pra fazer mais um trade, mais uma pernada, mas já está em seu estágio final.

ATLASPERP – Outro trade, que em termos de lucro, foi o melhor que eu  já fiz. Um trade de mais de 100 mil dólares.

Atlas, muito semelhante, um jogo que fizeram grandes promessas, mas que não chegaram nem a entregar.

Já está em menos de 0,01 centavo de dólar e foi um trade fantástico na queda brutal do token.

O trade em GST foi um pouco melhor, porém, eu aloquei um pouco menos de capital e, por isso, que ATLAS foi o principal para mim.

Cripto tem dessas oportunidades que valem a pena estar atento na parte short(vendido) e não apenas na parte long (comprado).

Em cripto, neste momento, a oportunidade está mais em short (vendido), seja em alguns projetos ruins específicos, seja fazendo bastante long & short(comprado e vendido).

Acredito que o cenário macro continua o mesmo, um cenário complicado, e qualquer movimento de alta, é apenas repique. 

Agora, analisando o IBOV.

Perdeu os 100k pontos, suporte importante, testou de novo e voltou a cair, ficando abaixo dos 100k pontos.

Para quem quiser operar em short com um stop um pouco acima dos 103k pontos, parece um bom trade, tem uma boa possibilidade de dar certo.

O gráfico está bem fraco, tem potencial pra ir mais pra baixo. Se subir acima dos 100k pontos, acredito que não vale a pena ficar vendido. Porque podem acontecer pernadas de alta de 15 a 18%.

Mas enquanto estiver abaixo do suporte de 100k pontos, é um trade interessante.

Próximos alvos na faixa entre 94-93k pontos.

E se perder os 93k pontos, então terá bastante espaço para baixo. Mas parece pouco provável um fundo abaixo dos 63k pontos. Ficaria no range (variação) entre 100k até 63k.

Enfim, difícil saber, porque depende muito do cenário macro para determinar onde é que chega.

E, naturalmente, dentro do IBOV, assim como dentro da Bolsa brasileira, eu foco mais lá fora.

Onde há setores mais defensivos, setores que estão indo ladeira abaixo, e que oferecem mais possibilidades para operar.

Seja fazendo long & short, long (comprado) no setor mais forte e short(vendido) no setor mais fraco, ou operar só short, operando índices, enfim, sempre há diversas formas de operar, porém, a perspectiva do mercado é, definitivamente, para baixo.

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Forte abraço,

Marcello Vieira.