Saiba como declarar investimentos no IR 2018 e veja opções isentas

Tempo de leitura: 12 minutos

Como declarar investimentos no IR 2018? O prazo para entregar a declaração começou no dia 1º de março e encerra em 30 de abril.  Junto dele surgem também as dúvidas sobre o preenchimento dos formulários para Receita Federal. E minha intenção hoje é lhe ajudar nisso de uma forma bastante simplificada.

Vale lembrar que todos que tiveram renda superior a R$ 28.559,70 em 2017 são obrigados a enviar sua declaração. Além disso, é preciso ficar atento às novidades do ano. Entre elas: informar CPF de dependentes a partir dos 8 anos de idade e inserir mais detalhes sobre os seus bens de um modo geral.

Portanto, revise todas essas questões para não perder o prazo estipulado e estar sujeito às multas bastante salgadas do “leão”. Agora, para declarar seus investimentos no IR 2018 comece por fazer o download do programa da Receita Federal e seguir as nossas dicas:

Boa leitura!

Sem medo do leão: Como declarar investimentos no IR 2018

Todos os investimentos devem ser declarados individualmente em abas específicas, incluso o seu código, conforme descrição do programa da Receita. Para isso, solicitar o extrato de rendimentos à corretora de valores  e/ou banco, com todas as especificações, pode facilitar o trabalho.

E para entender como declarar investimentos no IR 2018 saiba que até valores em conta corrente precisam ser informados. Até mesmo os isentos da caderneta de poupança. Isso acontece porque a Receita deseja saber quais aplicações você possui.

Dessa maneira, é válido já se familiarizar com termos que serão utilizados nas fichas. Bens e Direitos, Renda Variável, Rendimentos, Rendimentos Isentos e Não Tributáveis e Pagamentos Efetuados são alguns deles. Ou seja, além do que você  tem é preciso declarar o quanto ganhou no ano-calendário.

Portanto, tenha em mãos no momento da declaração:

  • Extrato da sua conta corrente em 31/12/2017.
  • Informe de rendimentos do banco e/ou corretora de valor.

SE HOUVER:

  • Controle da compra e venda de ações e DARF das operações.  
  • Comprovantes de quitação da Previdência Social.

Mãos à obra:

Investimentos da renda variável que podem ser isentos de IR

Ações

Aplicar em ações pode ser muito interessante para todos os investidores. Lembrando que o foco maior aqui é no longo prazo, diferente do que acontece em renda fixa, por exemplo. E, ao contrário do que pensa a maioria, nem sempre investir na Bolsa exige o pagamento do IR.

Quando as operações realizadas forem inferiores a R$ 20.000,00 no mês, este já será o ganho líquido da aplicação e estará isento do Imposto de Renda.

Já se o lucro – preço de venda menos o valor da aquisição – ultrapassar esse teto, receberá uma dedução de 15%. Taxa que deve ser ser paga por meio de DARF até o último dia útil do mês seguinte ao da transação. Por isso, anote e tenha o controle de tudo em uma organizada planilha para saber declarar investimentos no IR 2018 sem dores de cabeça.

Fundos imobiliários (FIIS)

Ao contrário de alugar imóveis “tradicionais”, onde proprietário precisa desembolsar até 27,5% dos seus lucros para o Imposto de Renda, nos FIIS isso só acontece se o investidor se desfizer das suas cotas.

Entre outros benefícios, há ainda a facilidade de comprar ou vender e a possibilidade de ser co-proprietário de grandiosas construções com pequenos montantes.

Porém, para ser isento do IR quando cotista de algum de FII, deve-se atender a alguns pré-requisitos como: ser investidor PF, não possuir mais de 10% do patrimônio de um mesmo fundo e este ser regularmente negociado na Bolsa de Valores. Confira todos os detalhes nesta publicação.

Como declarar investimentos no IR 2018: isentos da renda fixa

Saldos e aplicações em renda fixa, mesmo aqueles isentos, precisam constar na declaração. Então, veja quais são eles, e compreenda como declarar investimentos no IR 2018 :

Poupança

Um dos investimentos mais populares do Brasil, a poupança, é livre da cobrança do Imposto de Renda e das taxas bancárias administrativas. Esses são alguns dos motivos pelos quais um número gigantesco de pessoas a escolhe para aplicar seu dinheiro.

Contudo, a rentabilidade anual oferecida pela modalidade perde para a inflação e somente diminui o poder de compra do investidor. As previsões também não são nada favoráveis com a queda constante da Selic…

No entanto, é obrigatório informar a existência da poupança no Imposto de Renda quando o capital poupado for superior a R$ 140. Já para valores menores, é opcional. Outro dado que deve ser constar é do quanto rendeu o investimento em 2017 (consulte o seu informe de rendimentos).

Outras aplicações isentas

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), Debêntures, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio). Mas, para saber como declarar esses e outros investimentos no IR 2018, continue a leitura:

Conheça os tributáveis

como declarar investimentos no IR 2017- taxas

Quando um título de renda fixa, taxado pelo Imposto Renda, venceu, foi vendido antecipadamente ou obteve rendimentos creditados em conta, é preciso declará-lo para o leão. Outros possuem cobrança direto na fonte, como o Tesouro Direto.  Encontre mais informações aqui.

Nesse caso, a retenção é feita automaticamente no recebimento dos juros, no momento em que o papel vencer ou com um resgate fora da data. Outros exemplos que também funcionam assim e seguem tabela regressiva são o CDB, o COE,  Debêntures, LC e RDB.

 Já em relação à Previdência Privada, a tributação também é recolhida na fonte, mas cada plano possui uma tratativa diferente. Fique atento a isso! E não deixe de conferir nossas dicas sobre essa aplicação neste post exclusivo do blog. Agora vamos à prática:

Exemplos de como declarar investimentos no IR 2018

Ações

Declara-se em “Bens e Direitos” com o código 31. Apesar de ser um investimento que pode ter isenção do IR, como vimos, o lucro com as ações abaixo de R$ 20 mil precisa ser relatado no demonstrativo “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” (item 20).

Já quando estiver acima dos R$ 20 mil, preencha todas as informações em “Operações Comuns/ Day Trade” na aba “Renda Variável”. Ganhos e prejuízos mensais também devem constar na declaração.

Já as negociações devem ser divididas em categorias e informadas como day trade, aquelas realizadas no mesmo dia, e as demais, com períodos maiores, pois há diferença na cobrança para cada uma delas: 20% e 15%, respectivamente. 

Na sequência, saiba como declarar investimentos no IR 2018 para:

Fundos Imobiliários

Assim como em ações, declara-se em “Bens e Direitos”, mas com o código 73. E além da quantidade de cotas, é necessário relatar o nome da administradora, assim como, o CNPJ e os dados de conta conjunta – se for a questão.

Já os valores provenientes dos aluguéis, embora isentos para investidores pessoas físicas com menos de 10% das cotas de um mesmo fundo, precisam constar em “Outros” (26) do formulário “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

Agora, se houver alguma venda, o fundo será tributado em 20% e a negociação precisa ser obrigatoriamente informada na ficha “Renda Variável”. O prazo para o pagamento é até o último dia útil do mês seguinte à transação como ocorre em ações.

Poupança

Declara-se no descritivo “Bens e Direitos” com código 41, apenas se possuir saldo superior a R$ 140. Feito isso, vá para “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, coloque o nome e o CNPJ da instituição financeira, número da sua conta e, se for conjunta, acrescente os dados do outro titular.

Depois, basta lançar os rendimentos obtidos até a data exigida no mesmo campo. O preenchimento deve ser feito separadamente para cada poupança que o declarante tiver. Os dados da soma de todas elas constará na aba “Totais”, descritivo “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

O mesmo procedimento serve para CRI, CRA, Debêntures, LCI e LCA. Esses são investimentos isentos, e assim como a poupança, basta descrever os ganhos obtidos no ano junto das informações de: titular e/ou dependente, CNPJ e nome da instituição pagadora e valores do rendimento.

Tesouro Direto

O lucro líquido (após descontados os impostos e as taxas) precisa ser declarado na aba “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva” que está em “Bens e Direitos”. Faça o preenchimento de dados como nas outras modalidades e repita a operação para cada título que tiver. Agora você já é um perito em como declarar investimentos no IR 2018 ; )

Não caia na malha fina do leão…

como declarar investimentos no IR 2018 - malha fina

Agora que tal dar uma olhada nas maiores gafes cometidas pelos declarantes? Desde erros de preenchimento até informações duvidosas podem ser a causa de uma malha fina no cruzamento de dados. Assim, para o “grand finale” sobre como declarar investimentos no IR 2018 corretamente, evite:

  1. Informar gastos médicos inexistentes: É preciso comprovar essas despesas para que os valores sejam abatidos na declaração.
  2. Não declarar renda de imóvel de aluguel: É obrigatório informar à Receita em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas” (se for o caso de alugar para PF). Já o aluguel pago deve ser declarado na ficha “Pagamentos Efetuados”.
  3. Repetir o dependente em duas declarações: Geralmente o casal comete esse erro e acaba criando problemas.
  4. Não informar pensão alimentícia: Quem recebe esse pagamento, deve relatá-lo na declaração para evitar a malha fina.
  5. Omitir lucros na Bolsa de Valores: Ou em de qualquer outra forma de ganhos extras pode levá-lo à explicar o motivo da sonegação.
  6. Esquecer da aposentadoria: A renda deve ser declarada, pois a Receita tem acesso aos pagamentos do INSS.
  7. Errar na digitação: Preste muita atenção aos números, fator que pode prender a declaração na malha.
  8. Valorizar os bens: Casas, carros e outros patrimônios devem constar na declaração com o valor de aquisição e não com o de mercado.
  9. Errei! E agora? Providencie uma declaração urgente para retificar os erros cometidos e evitar maiores penalidades.

Extra: como calcular a rentabilidade líquida de um investimento

O Imposto de Renda é um entrave para você decidir entre aplicar o seu dinheiro ou não? Então, fique tranquilo. Muitas pessoas mantêm o capital na poupança e acreditam ser a melhor opção devido à isenção do IR. O que, sem dúvida, é uma vantagem.

Porém, mesmo sem essa cobrança, ela perde para a inflação e tem umas das rentabilidades mais baixas do mercado. Sendo assim, é importante saber que existem diversas outras formas de investir, muito mais lucrativas do que a caderneta, e que mesmo com as deduções, conseguem ganhar do índice.

Como saber isso? Por meio da rentabilidade líquida. Lembre-se dela, pois  é a fórmula para descobrir se uma aplicação é rentável. Afinal, é muito comum esquecer de calcular os impactos dos impostos e aumentos inflacionários sobre o ganho de capital.  

Da mesma maneira, tem-se a equivocada concepção de que somente investimentos isentos de IR trarão benefícios em relação aos demais. E esse cálculo mostra como diferenças aparentemente pequenas podem se tornar enormes em longo prazo.

Veja como fazer

Para começar, verifique qual a taxa do Imposto de Renda, se houver, que incide sobre a aplicação e tenha a porcentagem da inflação do ano em mãos. Calcule da seguinte forma: % da rentabilidade bruta – (% dos tributos x % da rentabilidade bruta) – % da inflação anual.

Veja um exemplo qualquer, considerando uma inflação X e uma estimativa para o Imposto: 12 – (15 x 12% = 1,8) – 4,5 = 5,7%. Note o quanto a rentabilidade líquida muda o cenário. De 12% de lucro bruto para um ganho líquido de apenas 5,7% no ano….

Há ainda os custos com taxas de corretagem, administração e outros que podem ser cobrados pelo seu banco ou corretora de valores. Para deduzi-los, aplique a soma de todos os gastos ao campo ‘encargos’ e tenha um resultado ainda mais revelador.

Com essas informações, busque as rentabilidades líquidas mais interessantes. Para que possam valer a pena, minha recomendação é que estejam sempre acima dos 3% ao ano. Porém, quanto maior esse número, melhor! Desde que respeite o seu perfil como investidor.

Conclusão sobre como declarar investimentos no IR 2018

como declarar investimentos no IR 2018- conclusão

Espero que compreender como declarar seus investimentos no IR 2018 não seja mais algo tão complexo para você e os seus atuais ou futuros investimentos. E guarde consigo: diante de impasses, siga corretamente as regras e encontre os melhores argumentos para tomar decisões.

Desde ler blogs sobre aplicações financeiras, aprender sobre finanças pessoais e estar atualizado. Para evoluir, tudo é válido. Não se esqueça também dessa importante regra: seguir em evolução. Palavra, cujo significado remete à mudança, sempre para melhor, da vida.

E se este é o caminho que você está buscando para a sua, saiba como se tornar um Investidor de Sucesso aqui, alcance a tão sonhada prosperidade financeira e conte – sempre – comigo para o que você precisar! Um forte abraço e até a próxima publicação!

Marcello.