Saiba como declarar investimentos no IR 2017 e descubra as operações isentas de imposto

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A entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2017 iniciou no dia 2 de março e encerra em 28 de abril. Por isso, é neste período em que estamos que aumentam as dúvidas dos contribuintes sobre o preenchimento dos formulários para a Receita Federal. Se você não sabe ao certo como declarar investimentos no IR 2017 e não tem ideia de quais são as operações isentas de imposto, este post é pra você! Vem comigo que eu te explico…

Patrimônio x declaração do IR 2017

Vale lembrar que todos os contribuintes que tiveram renda superior a R$ 28.559,70, em 2016, são obrigados a enviar sua declaração à Receita Federal. Além disso, é preciso relatar patrimônios e dívidas adquiridas entre 31/12/2015 e 31/12/2016.  Portanto, fique atento a essas questões para não perder o prazo estipulado e saiba mais aqui.

Agora, se o Imposto de Renda é um entrave para você decidir entre aplicar o seu dinheiro ou não, fique tranquilo. Muitas pessoas mantêm o capital na poupança e acreditam ser a melhor opção devido à isenção do IR. O que, sem dúvida, é uma vantagem. Porém, mesmo sem essa cobrança, ela perde para inflação e tem umas das rentabilidades mais baixas do mercado.

Sendo assim, é importante saber que existem diversas outras modalidades de investimento, muito mais lucrativas do que a caderneta, e que mesmo com as deduções do imposto, conseguem sempre ganhar da inflação. Descubra a seguir quais são elas, como calcular sua rentabilidade líquida, como declará-las à Receita e não perca tempo!

O Leão não vai mais te assustar. Confira:

Como calcular a rentabilidade líquida

como declarar investimentos no IR 2017- calcularEssa é a fórmula para descobrir se uma aplicação é rentável ou não. Afinal, é muito comum começar a investir e esquecer de calcular os impactos dos impostos e aumentos inflacionários sobre o ganho de capital. Da mesma maneira, têm-se a equivocada concepção de que somente investimentos isentos de IR trarão benefícios para o investidor em relação aos demais.

Então, nada melhor do que uma prova concreta para ajudar na hora de decidir. Esse cálculo mostra como diferenças aparentemente pequenas podem se tornar enormes em longo prazo. Para começar, verifique qual a taxa de Imposto de Renda, se realmente houver, que incide sobre a aplicação e tenha a porcentagem da inflação em mãos.

Calcule da seguinte forma: % da rentabilidade bruta – (% dos encargos x % da rentabilidade bruta) – % da inflação anual. Veja um exemplo qualquer, considerando a inflação atual e uma estimativa para o IR: 12% – (15% x 12%) – 4,5% = 5,7%. Note o quanto a rentabilidade líquida muda o cenário. De 12% de lucro bruto para um ganho real de 5,7% ao ano.

Há ainda os custos com taxas de corretagem, administração e outros que podem ser cobrados pelo seu banco ou corretora de valores. Para deduzi-los, aplique a soma de todos os gastos ao campo ‘encargos’ e tenha um resultado ainda mais revelador. Com essas informações, procure fazer a conta e busque as rentabilidades líquidas mais interessantes para você.

Para que possam valer a pena, minha recomendação é que estejam acima dos 3% ao ano. Porém, quanto maior esse número, melhor! Lembrando que é importante sempre respeitar o seu perfil como investidor.  

Investimentos isentos de IR

como declarar investimentos no IR 2017- taxas

Ações

Aplicar em ações pode ser muito interessante para todos os investidores. Desde pequenos até grandes apostadores do mercado. Lembrando que o foco maior aqui é no longo prazo, diferente do que acontece em renda fixa, por exemplo. E ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, nem sempre investir na Bolsa exige o pagamento do Imposto de Renda. Entenda:

Quando as operações realizadas forem inferiores ao montante de R$ 20.000,00 no mês, esse já será o ganho líquido da aplicação, ou seja, estará isento do Imposto de Renda. Já se as negociações ultrapassarem esse ‘teto’, o lucro – valor de venda menos o valor da aquisição – terá uma dedução de 15% a ser pago até o último dia útil do mês seguinte ao da transação.

Dica: anote e tenha o controle das suas ações em uma (organizada) planilha.

Fundos imobiliários (Fiis)

Ao contrário de imóveis tradicionais alugados, cujo proprietário precisa desembolsar até 27,5% dos seus lucros para o Imposto de Renda, nos Fiis isso só acontece se o investidor se desfizer das cotas. Entre outros benefícios, há ainda a facilidade em comprar/vender e a possibilidade de ser co-proprietário de grandiosas construções com pequenos montantes.

Porém, para ser isento do IR quando cotista de algum de Fii, é preciso atender a alguns pré-requisitos, como investir como pessoa física, não possuir mais de 10% do patrimônio de um mesmo fundo e este ser negociado regularmente na Bolsa de Valores. Fácil, não é? Então, entenda agora mesmo como começar a investir em Fundos Imobiliários.

Poupança

Um dos investimentos mais populares do Brasil, a poupança é isenta do Imposto de Renda e das taxas administrativas. Esses são alguns dos motivos pelos quais um número gigantesco de pessoas a escolhe para aplicar seu dinheiro. Porém, com a rentabilidade anual que oferece, costuma perder para inflação e diminuir o poder de compra do investidor.

As previsões também não são nada favoráveis para os próximos meses com a queda da taxa básica de juros (Selic), no entanto, o baixíssimo risco é visto como sua maior vantagem. É obrigatório declarar a poupança no Imposto de Renda quando o capital for superior a R$ 140 – veja como fazer nos próximos tópicos -. Já para valores menores, a informação é opcional.

Veja como declarar

como declarar investimentos no IR 2017- como declarar

Investimento: Ações

Declara-se como: Renda Variável

Apesar de ser um dos investimentos isentos de IR, como vimos, o lucro com as ações deve ser declarado quando estiver acima dos R$ 20 mil. Preencha todas as informações na ficha “Renda Variável”. Já as operações devem ser divididas em categorias e informadas como day trade, aquelas realizadas no mesmo dia, e normais, pois há diferença na cobrança para cada caso.

Prejuízos também entram na declaração e podem ser utilizados para abater gastos futuros com a tributação. Já nos casos em que não há incidência do imposto (ganhos abaixo dos R$ 20 mil), não haverá cobrança como mencionado, mas é necessário relatá-los no demonstrativo de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

 

Investimento: Fundos Imobiliários

Declara-se como: 

Bens e Direitos

Rendimentos Isentos e Não Tributáveis

Renda Variável

Os FIIs mantidos em carteira devem ser declarados em “Bens e Direitos”. Além da quantidade de cotas, é necessário informar o nome da administradora, assim como, o CNPJ e dados de conta conjunta – se for o caso. Já os valores provenientes dos aluguéis, embora isentos para pessoas físicas, precisam constar em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

Se ocorrer alguma venda, o mesmo será tributado em 20% e a negociação precisa ser obrigatoriamente informada na ficha “Renda Variável”. O prazo para o pagamento é até o último dia útil do mês seguinte à transação.

 

Investimento: Poupança

Declara-se como:

Bens e Direitos

Rendimentos Isentos e Não Tributáveis

Se possuir saldo superior a R$ 140 na caderneta declare-a em “Bens e Direitos”. Na mesma ficha, descreva o nome e o CNPJ da instituição financeira, número da sua conta e, se for conjunta, coloque os dados do outro titular. Feito isso, lance os rendimentos obtidos até a data exigida no campo “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

Não caia na “malha fina”

como declarar investimentos no IR 2017- rendimentos isentos

Agora que conhecemos os investimentos isentos de IR e de como declarar os demais, que tal dar uma olhada nas maiores gafes cometidas pelos contribuintes? Desde erros de preenchimento até informações duvidosas podem ser a causa de uma ‘malha fina’ no cruzamento de dados. Então, para fazer sua Declaração do Imposto de Renda 2017 corretamente, evite:

  1. Informar gastos médicos inexistentes: É preciso comprovar essas despesas para que os valores sejam abatidos na declaração;
  2. Não declarar renda de imóvel de aluguel: É obrigatório informar à Receita em “Pagamentos Efetuados”.
  3. Repetir o dependente em duas declarações: Geralmente o casal comete esse erro e acaba criando problemas com o leão;
  4. Não informar pensão alimentícia: Quem recebe esse pagamento, deve relatá-lo na declaração para evitar a ‘malha fina’;
  5. Omitir lucros na Bolsa de Valores: Ou em de qualquer outra forma de ganhos extras, pode levá-lo à explicar o motivo da sonegação;
  6. Esquecer da aposentadoria: A renda deve ser declarada, pois a Receita tem acesso aos pagamentos do INSS;
  7. Errar na digitação: Preste muita atenção aos números, fator que pode prender a declaração na ‘malha’;
  8. Valorizar os bens: Casas, carros e outros patrimônios devem constar na declaração com o valor de aquisição e não com o de mercado;
  9. Errei! E agora? Providencie uma declaração urgente para retificar os erros cometidos e evitar maiores penalidades.

Comece a investir já!

como declarar investimentos no IR 2017- rendimentos isentosEspero que o temido ‘leão’ não seja mais tão temeroso assim para você e seus investimentos. Lembre-se: basta seguir corretamente as regras e buscar os melhores artifícios para tomar suas decisões. Desde ler blogs sobre aplicações financeiras, fazer cursos sobre finanças pessoais e estar atualizado. Se for para evolução, tudo é válido!

Não esqueça dessa também importante regra: evoluir. Palavra cujo significado remete à mudança, sempre para melhor, das nossas vidas. E se este é o caminho que você está buscando para a sua, saiba como se tornar um Investidor de Sucesso, alcance a tão sonhada prosperidade financeira e conte – sempre – comigo para o que você precisar!

Forte abraço e até a próxima publicação!