O milagre dos juros compostos

Tempo de leitura: 4 minutos

  • Por Gustavo Rigon

“Os juros compostos são a 8ª maravilha do mundo.”

(Albert Einstein)

Caros leitores,

Compreendida a correlação direta entre o sucesso e a poupança, trato hoje do milagre dos juros compostos aliado ao fator tempo nos investimentos.

A maioria das pessoas não se dá conta do verdadeiro significado dos juros. Do motivo pelo qual pagamos juros tão altos para financiar um carro ou uma casa própria. A resposta é muito simples: somos um país de devedores duvidosos e para nos emprestar dinheiro é exigido um prêmio maior em razão de um risco maior.

E é dessa forma no mundo inteiro. Você exigirá juros menores para emprestar dinheiro ao seu tio empregado ou ao seu vizinho desempregado? Simples assim! E o Brasil é o vizinho desempregado.

“Isso é ruim, certo?” Depende. Para quem quer consumir é terrível, sem dúvida alguma. Mas, para nós, investidores, é uma baita oportunidade de fazer muito dinheiro. “Juro que dá em Chico, dá em Francisco”, ou seja, aquele mesmo juro que corrói o dinheiro dos devedores enriquece os credores. E nós, investidores, somos os credores da equação.

Que tal agir como os bancos?

Historicamente, os bancos são os grandes vilões da economia brasileira e a minha pergunta sempre foi: por que, ao invés de reclamar do quanto eles lucram, não fazemos exatamente o mesmo? Investimento é isso. Você se torna o banco. Afinal, ao investir você está emprestando dinheiro a alguém (governo, banco, empresa) com a expectativa de retorno do principal acrescido de juros.

Em nenhum lugar do planeta os bancos são tão rentáveis quanto os bancos brasileiros. Somente essa informação já deveria ser suficiente para te deixar com uma pulga atrás da orelha e questionar: “opa, talvez esse negócio de emprestar dinheiro no Brasil seja uma boa ideia, não?”.

É lógico que é. Um cidadão americano recebe em torno de 1,5% a.a. ao emprestar dinheiro ao governo (bonds). Ao passo que o investimento equivalente no governo brasileiro (tesouro direto) rende perto de 8% a.a. Uma diferença brutal que não estamos sabendo aproveitar.  

Os juros compostos e a bola de neve

O motivo dos ricos, no Brasil, ficarem cada vez mais ricos tem nome e sobrenome: juros compostos. O conceito é bem simples: os juros de um determinado período são somados ao principal para o cálculo de novos juros nos períodos seguintes.

Exemplo prático: investimento de R$ 10.000,00 rendendo 1% ao mês

No primeiro mês, o rendimento será de R$ 100,00 (1% de R$ 10.000,00). Já no segundo mês, o principal deixa de ser os R$ 10.000,00 e passa a ser R$ 10.100,00; e aqueles mesmos 1% resultarão em R$ 101,00, ao invés de R$ 100,00, e assim por diante. Resumindo: é uma bola de neve maravilhosa.

Quando Albert Einstein disse que “os juros compostos são a força mais poderosa do universo e a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza” ele tinha razão. De fato, o é. Juros sobre juros aliados ao longo prazo são uma verdadeira fórmula mágica do sucesso.

Rentabilidade: qualquer ponto percentual já conta!

Porém, e para tudo na vida existe um porém, somente os juros compostos e o tempo não serão necessariamente garantia de riqueza. Temos um terceiro fator crucial que separa os homens das crianças nos investimentos: a rentabilidade.

É por isso que, mesmo você investindo durante toda vida na caderneta de poupança, muito provavelmente continuará pobre. E vou lhe provar com números (cálculos sem descontar inflação do período): vamos supor que você invista R$ 1.000,00, todos os meses, pelos próximos dez anos (120 meses).

Uma aplicação que renda 0,5% ao mês, em 10 anos, totalizará R$ 163.879,35; uma que renda 1% a.m. totalizará R$ 230.038,69; uma que renda 2% a.m. totalizará R$ 488.258,15; e uma de 3% mensal, o que obviamente não é nada fácil, mas possível na renda variável, vai te proporcionar R$ 1.123.699,57, nos mesmos 10 anos, e com o mesmíssimo capital investido.

Nesta planilha é possível simular o milagre dos juros compostos (não descontada inflação do período).

Portanto, aquele 0,5% a mais de rendimento mensal, de aparência inofensiva e irrelevante no curto prazo, pode sim fazer uma diferença monstruosa no seu patrimônio a longo prazo. Comece a prestar mais atenção nas taxas de administração cobradas pelos bancos e não esqueça que qualquer decréscimo de rendimento mensal irá fazer muita falta no futuro.

E, principalmente, esteja sempre do lado certo da equação. Seja o banco que empresta o dinheiro e não o cliente que pede emprestado.

Até a próxima!

Gustavo Rigon

 

* Gustavo Rigon é colunista e escreve semanalmente para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso.