Saiba o que é e como investir em fundo multimercado

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O hedge fund ou fundo multimercado é uma alternativa muito utilizada para diversificar as aplicações financeiras. Afinal, ‘nunca colocar todos os ovos na mesma cesta’ é prerrogativa básica para qualquer bom investidor. Mas, apesar de crescer de forma avassaladora no mercado brasileiro, e aqui abocanhar uma boa fatia da indústria de fundos mundial (quase 20% até outubro de 2016), será que vale mesmo o investimento?

Entenda o que é o ‘famoso’ fundo multimercado (e porque se fala tanto nele), saiba como funcionam as operações e os tipos de estratégias aplicadas, veja como calcular os riscos e os retornos, descubra todos os custos envolvidos nesta modalidade e ainda: as opções mais vantajosas para você começar com força total e fazer ótimas escolhas para sua carteira. Vamos em frente e boa leitura!

O que é e como funciona o fundo multimercado

A palavra hedge, traduzida para o português, significa cobertura. Isso porque o criador do conceito, o australiano radicado nos EUA, Alfred Jones, precisava de uma estratégia que o protegesse das oscilações de preços das ações na década de 40. Foi quando ele percebeu que, ao manter-se em posições já compradas ou vendidas, reduzia esse risco.

Assim, caso a bolsa tivesse uma queda abrupta, Jones conseguia ao menos garantir uma parte do seu lucro. O que ele chamou de hedge, pois considerava o método uma forma de assegurar ou cobrir seus ganhos mesmo diante de adversidades. A partir daí, nomeou e passou a utilizar o hedge fund como um dos seus principais investimentos.

Alfred Jones o conceituou oficialmente, mas esse ‘congelamento de custos’ surgiu da necessidade de produtores e comerciantes definirem um preço fixo em suas negociações. Com isso, ambos se beneficiavam: o vendedor se certificava que iria receber um valor X do comprador, mesmo que os preços caíssem, enquanto o segundo se protegia contra um possível aumento.

Já nos dias atuais, o hedge fund não é necessariamente uma forma de blindar o capital. Apesar de muito parecido, em alguns aspectos, com o mercado de opções, uma das diferenças entre eles é que existem diversas maneiras de investir no fundo multimercado e, em muitas, não há essa cobertura como veremos adiante, nos próximos tópicos.

Tipos de ativos 

tipos de ativos fundo multimercado

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (ANBIMA) classificou os fundos em quatro classes de ativos: ações, cambial, multimercado e renda fixa. Porém, o fundo multimercado é o mais versátil de todos. Ele pode ser tão ou menos conservador do que os de renda fixa e agressivo como os de ações, por exemplo.

Isso acontece porque o fundo multimercado, além de permitir operações com os ativos de outras classes, engloba aqueles que não se encaixam nas demais classificações. E essa flexibilidade pode trazer um retorno maior (agora você já sabe o motivo pelo qual se fala tanto neles…), mas também um risco bem mais amplo.

Por esse motivo, é muito importante conhecer as diferentes regras operacionais e os tipos de estratégias mais comuns para o fundo multimercado. São elas:

Estratégias

Macro: operações em câmbio, renda fixa e variável, entre outras, sempre baseadas no cenário macroeconômico de médio a longo prazo. Confira esta recente notícia sobre as estratégias macro.

Trading: aqui também trabalha-se com os mais variados ativos, assim como na macro. Porém, o foco é lucrar a partir das movimentações de preços no curto prazo (day trade, swing trade, etc.).

Long and Short: negociações direcionadas para renda variável, como a Bolsa de Valores, por exemplo. O objetivo é encontrar oportunidades de ganhos em ações compradas ou vendidas.

Juros e Moedas: esses fundos multimercado buscam resultados em ativos de renda fixa, índice de preços e moedas estrangeiras. E, apesar de serem de longo prazo, não podem alocar em renda variável.

Livre: não existem regras específicas para estratégia livre. O hedge fund, nesta opção, pode trabalhar livremente – inclusive seguir todos os planos, como os citados acima, ao mesmo tempo -.

Específica: diferente da livre, este tipo de estratégia pode ser bastante singular e seguir suas próprias regras. Existe a possibilidade de incluir ainda outros ativos, como as commodities, que não estão na classificação.

Riscos x retorno

Além de exigir um capital inicial bastante elevado e a alta qualificação do investidor, o fundo multimercado é administrado por gestoras. Ou seja, existe um encarregado por decidir os melhores investimentos como um todo e você será uma espécie de sócio com uma participação reduzida ou limitada. Entenda:

O gestor deve escolher os mercados mais voláteis, pois sua meta é ultrapassar os resultados dos fundos tradicionais. Para isso, utiliza a alavancagem com o intuito de potencializar seu desempenho. E, ao buscar por oportunidades, pode também comprar ações de empresas com problemas ou que estão em fase de crescimento.

É claro que a ideia é conseguir o maior retorno possível, mas algum acontecimento ou crise inesperada pode pegá-lo de surpresa. Ainda mais no mercado de ações e na aquisição de cotas de empresas sem bons antecedentes. Outro ponto envolve a alavancagem, recurso que precisa ser usado com muita responsabilidade e sabedoria. Fique atento a isso!

Logo, reforço novamente: conheça os tipos de estratégias e, principalmente, o seu perfil e objetivos ao investir. Com essas informações bastante claras é possível minimizar os riscos, bem como, evitar perdas de patrimônio. Quanto aos resgates de valores, eles variam de um fundo para o outro. Então, leia o regulamento e esclareça todas as dúvidas que tiver antes de tomar uma decisão.

Também não esqueça de calcular as…

Taxas e outros custos

outros custos

Uma das partes mais fundamentais de um investimento, depois da rentabilidade, é o cálculo das taxas e demais custos envolvidos. Mas, por que é tão importante? É essencial saber o que será necessário diluir dos lucros, pois somente com essa conta em mãos o investidor terá uma noção exata do quanto realmente ganhará (retorno real).

No caso do fundo multimercado, haverá: taxas de administração cobradas pelas gestoras (podem chegar até 2% ano ano), taxa de performance – valor remetido à equipe de gestão quando o investimento ultrapassa os índices referenciais (pode chegar a 20%) – e a incidência do Imposto de Renda no resgate (com regras similares ao do Tesouro Direto).

Veja como funciona a cobrança do IR:

  • Para um um fundo de curto prazo – médio, igual ou inferior a 365 dias –  são aplicadas as seguintes alíquotas:
  • 22,5% até 180 dias;
  • 20% de 181 dias até 360 dias.
  • O investimento com menos de 30 dias também está sujeito à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
  • Já para o de longo prazo – igual ou superior a 365 dias – as porcentagens são de:
  • 17,5% de 361 dias até 720 dias;
  • 15% acima de 720 dias.

No caso do fundo multimercado, parte desse Imposto de Renda é recolhido com antecedência no chamado “come-cotas”. A cobrança acontece nos últimos dias úteis dos meses de maio e novembro de cada ano e considera o menor percentual para cada fundo. Ou seja, 20% para o de curto prazo e 15% para o de longo prazo.

Opções mais vantajosas

Como mencionei no início desta minha publicação, o fundo multimercado pode ser uma boa alternativa para diversificar sua carteira. Porém, sempre devemos nos atentar a rentabilidade real que um investimento nos traz. Por isso, reforço com você: é preciso calcular o retorno, menos os custos envolvidos, de uma determinada aplicação.

No fundo multimercado, especificamente, vimos que os mais diversos tipos de encargos poderão corroer sua lucratividade com o passar do tempo. Além disso, seu patrimônio pode estar em risco com operações de curtíssimo prazo e planejadas de forma ineficiente por terceiros. Será que é isso mesmo que você quer para sua vida?

Por isso, é muito importante que saiba: existem outros mercados bem mais interessantes para aplicar seu dinheiro e diversificar. Mais vantajosos, práticos e muito mais baratos também. E o melhor de tudo isso: em operações feitas por você. Afinal, aprender a investir é muito mais fácil do que imagina. E mais simples do que deixar na mão de outra pessoa.

A bolsa de valores brasileira e a norte-americana, os fundos imobiliários e o mercado de Forex podem compor um portfólio muitíssimo bem planejado. Já pensou: você dono de ações de excelentes empresas, co-proprietário de grandes imóveis e um trader de muito sucesso? Então, acredite. Pois é tão possível quanto pensar com essa facilidade.

E, para provar tudo isso, lhe convido para assistir, de forma online, e 100% gratuita, uma das minhas aulas. Nela, falarei sobre alcançar uma boa rentabilidade ao investir no exterior com robôs investidores. Tenho certeza que você irá se surpreender com esse mecanismo fantástico do mercado! Clique aqui e inscreva-se! A aula acontecerá por tempo limitado.

Espero que possamos nos encontrar o mais possível!

Forte abraço, Marcello.

Como investir em fundo multimercado – recapitulando

  1. Saiba o que é e como funciona o fundo multimercado;
  2. Conheça os tipos de ativos e de estratégias;
  3. Lembre-se de conferir todos os riscos x retorno;
  4. Fique de olho nas taxas e nos outros custos envolvidos;
  5. Não perca a oportunidade de conferir outras opções mais vantajosas;
  6. Sucesso e bons investimentos!