Afinal: vale a pena investir em previdência privada ou não?

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No final de 2016, assim que o Governo Federal anunciou a proposta para reforma da Previdência, muitas pessoas começaram a buscar alternativas para assegurar suas aposentadorias daqui a alguns anos. Os planos particulares, desvinculados do INSS, se tornaram então os mais procurados por todas elas. Mas, eu lhe pergunto: será que vale a pena investir em previdência privada?

Para a maioria dos brasileiros está resposta seria sim. Isso porque viemos de uma cultura – imposta pelas instituições financeiras – onde para ter uma boa aposentadoria é preciso investir dessa forma. O que não é de se estranhar, já que traz um ótimo retorno… mas só para os bancos e as seguradoras! Por isso, no artigo de hoje, enumerei os diversos motivos que fazem da previdência privada um péssimo negócio para o seu futuro.

Se você tomou a decisão de guardar dinheiro e investir, esse já é um grande e importante passo. O próximo agora é encontrar as melhores soluções para você aproveitar, com segurança e tranquilidade, a melhor idade. E que tal começar já?

Boa leitura!

O que é e como funciona?

A previdência privada dá ao investidor uma renda, conforme o seu aporte e após determinado período. Dessa maneira, o banco aplica essas quantias no mercado financeiro, com o propósito de gerar rentabilidade, e o montante acumulado pode ser resgatado de uma única vez ou em parcelas mensais, como uma aposentadoria. Essa parte irá variar de acordo com o que for  contratado.

É totalmente independente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e costumeiramente utilizada para complementar os valores pagos pelo Governo. Todas as instituições que trabalham com a previdência privada são fiscalizadas e regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Principais diferenças em relação à previdência social:

  • Escolhe-se a quantia de contribuição, bem como, o período. Porém, os retornos financeiros dependerão do tempo e dos valores aplicados;
  • É permitido sacar os valores antes de se aposentar, mas dificilmente isso compensa para o investidor.

As duas modalidades de investimento:

  • Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL): ideal para pessoas que ganham muito, pois o valor pago ao plano pode ser descontado no IR – desde que este represente até 12% da renda bruta anual do contratante. Já ao sacar o dinheiro do fundo, o imposto será cobrado pela quantia total acumulada.
  • Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL): não pode ser deduzido no imposto de renda, portanto, é ideal para isentos ou declarantes simples. Porém, ao resgatar o montante que foi acumulado, o IR incidirá apenas sobre os rendimentos e não sobre o valor total que houver no fundo.

Todos os interessados em contratar um desses planos podem o fazer; não é necessário comprovar renda. Um dos casos mais comuns, além da aposentadoria, também são os de pais que buscam garantir o futuro dos filhos com despesas como a faculdade, cursos, viagens e etc. Mas, com tantos custos sobre o investimento, fica ainda a dúvida se vale a pena investir em previdência privada… Confira:

Taxas, taxas e mais taxas…

taxas da previdência privada

Sabemos que todo investimento possui taxas, mas na previdência privada a quantidade delas é realmente impressionante. Conheça a seguir as duas vilãs dessa aplicação e que comprometem (com certeza) a sua rentabilidade:

Taxa de administração: é a cobrança feita pelo banco para ‘manter’ seu dinheiro no mercado financeiro. Varia conforme o plano contratado, porém costuma ser menor quando os montantes aplicados são maiores e assim por diante. Pode ultrapassar os 3% ao ano.

Taxa de Carregamento: taxa adicional cobrada a cada aporte. Pode chegar aos 5%. Há as taxas de carregamento de entrada (sobre novos valores adicionados ao fundo) e as de saída (quando são feitos resgates ou portabilidades). Em ambas situações, o percentual deve ser abatido do valor final. Ex.: taxa de 2% para R$ 2.000,00 sobrarão R$ 1.960,00.

Tributação do Imposto de Renda

Existem duas maneiras de tributação ao resgatar os valores do fundo ou receber os lucros: pela tabela regressiva – quanto maior o tempo de acumulação ou permanência menor a alíquota do IR, indicada para longo prazo; ou pela tabela progressiva – o que determina o valor do imposto será a quantia ou renda sacada, ideal para curto prazo ou manter-se isento. Confira como funciona:

tabela regressiva

tabela progressiva

Calculando a rentabilidade…

Muitas pessoas acreditam que vale a pena investir em previdência privada, pois é uma alternativa mais interessante e segura do que manter o capital na poupança. Eu não apontaria a segurança como uma vantagem nesse caso, já que a previdência privada não possui a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como a poupança e, sobre ser mais interessante… Nem tanto.

Diversos especialistas veem a previdência privada como um investimento que não vale a pena devido às altas taxas e à baixa rentabilidade – não muito diferente da poupança. Ou seja, você pode perder muito mais dinheiro e poder de compra do que imagina. Por isso a importância de sempre calcular a rentabilidade e diluir todos os custos nela embutidos.

Quer ver como isso pode impactar nas suas finanças? Então, imagine uma instituição que cobra uma taxa de administração e carregamento de 3% ao ano. Com isso, você realiza aportes mensais de R$ 500,00, durante 20 anos, sobre um retorno médio mensal de 1,75%. Ao final desse período, você teria: R$ 1.150.000,00 com a taxa; e R$ R$ 1.800.000,00 sem a taxa.

Ou seja, uma diferença R$ 650.000,00 no final das contas. Realmente impressionante, não acha? Agora imagine quantas coisas você poderia conquistar com toda essa quantia paga ao banco ao longo desses 20 anos… Vale a pena investir em previdência privada? Vamos entender mais:

Por que não compensa? 7 poderosos motivos

a previdência privada não compensa

  • Altíssimas taxas: a previdência privada custa muito caro para o investidor. Entre taxa de administração e carregamento, boa parte do capital acaba sendo perdido como vimos no exemplo acima. Pense e questione-se: você quer isso para sua vida?
  • Simulações irreais: os bancos costumam mostrar diversos números e benefícios na hora de vender um plano e não calculam os impactos da inflação sobre o período. Uma aplicação financeira rentável precisa estar acima disso.
  • Engessamento do investidor: muitas pessoas procuram tranquilidade e comodidade ao investir na previdência privada. A questão é que, dessa forma, acabam engessadas e perdem dinheiro ao invés de ganhar em outras aplicações como as de renda variável.
  • Perfil e objetivo desencontrados: para bater metas, muitas instituições vendem planos sem levar em conta as necessidades dos seus clientes. Tal atitude resulta na decepção, quando eles notam que receberam bem menos do que esperavam para sua aposentadoria.
  • Gestão ineficiente: os bancos costumam aplicar o dinheiro dos investidores na Bolsa de Valores. Porém, seguem apenas o critério de liquidez (alta negociação) sem considerar as empresas em que estão investindo. O problema disso é escolherem as organizações com as mais baixas rentabilidades.
  • Falta de controle: quando contrata um plano de previdência privada você não pode escolher em qual modalidade do mercado financeiro quer investir. Quem faz isso é o banco! Você paga para uma instituição o que conseguiria fazer sozinho e com muito mais eficiência.
  • Pouca diversificação: como só é possível fazer aplicações em renda fixa, ações ou dividir entre as duas formas, o seu capital rende bem menos do que poderia. Afinal, a grande chave para bons resultados financeiros é a diversificação, mais conhecida como alocação de ativos.

Mas, não se preocupe: existe solução!

A solução é construir a sua própria previdência privada! Aqui, no Investidor de Sucesso, meu objetivo principal é lhe ensinar a investir de forma independente e a elaborar um sólido planejamento para sua aposentadoria. Mesmo que esteja preocupado com a sua família, descarte a ideia de contratar um plano para cada um deles. Suas despesas só irão aumentar e, assim, os rendimentos diminuirão ao longo do tempo.

A melhor forma de assegurar o futuro dos seus filhos e da sua família é apostando em você mesmo. Veja só porquê: com a educação financeira, você dará mais valor ao seu dinheiro e tomará decisões mais assertivas nas suas finanças. E isso só será possível com o aprendizado. Saber controlar gastos e receitas, economizar e entender sobre juros compostos é a melhor forma de estar empoderado financeiramente e evitar cair em armadilhas bancárias.

Além disso, ao descobrir como elaborar uma carteira de investimentos (com ações, fundos imobiliários e trading)  você não precisará mais da previdência privada para conquistar os seus sonhos. Tudo isso alinhado ao seu perfil como investidor e atual momento de vida. E, lembre-se: quem não se esforça sempre paga o preço mais alto, portanto, não seja uma dessas pessoas!

No curso O Investidor de Sucesso, trago um material exclusivo para os meus alunos, falando exatamente sobre isso. Também os ensino a como traçar uma jornada que os fará alcançar essa meta por meio da Bolsa de Valores, além de um bônus especial sobre como atingir a independência financeira a partir de agora. O que você almeja para o seu futuro?

Afinal, não vale a pena investir em previdência privada. Não esqueça disso!

Conte comigo sempre!

Um grande abraço, Marcello.