O meu ponto de vista sobre bitcoins

Tempo de leitura: 5 minutos

I’ve been working on a new eletronic cash system that is fully peer to peer, whith no trusted third party.
Satoshi Nakamoto.

Narrow-Minded é uma expressão em inglês utilizada para definir alguém com a mente fechada sobre determinada ideia e confesso, sem orgulho algum, que essa seria a melhor forma de me definir quando o assunto é especulação (e bitcoins).  

Ter correndo em minhas veias uma vertente essencialmente fundamentalista é razão sine qua non para essa “aversão a negócios especulativos”. Portanto, escrever um artigo sobre criptomoedas, nem de longe fazia parte dos meus planos.

Fato é que o protagonismo que as moedas virtuais têm alcançado no universo dos investimentos não permite que o tema seja simplesmente ignorado. A relevância é tamanha que o volume de bitcoins negociados ao redor do mundo já é maior que o de reais brasileiros.

Então, vamos tentar entender o fenômeno dos bitcoins

Os bitcoins surgem no ano de 2008 como resposta à terrível crise financeira originada nos EUA. O efeito cascata da crise americana atingiu pessoas em todos os cantos do planeta e foi nesse momento que ficou claro o quão interligado, centralizado e vulnerável é o sistema financeiro mundial. Bancos globais quebraram e levaram a riqueza das pessoas com eles.

Essa foi a gota d’água para que cyberpunks finalmente botassem a ‘mão na massa’ e, em conjunto, desenvolvessem o projeto criado por Satoshi Nakamoto: uma moeda virtual na qual as transações financeiras seriam feitas de maneira bilateral (peer to peer) sem a necessidade de uma terceira parte intermediando e controlando as negociações (governos e bancos).

Em suma, a moeda retira dos governos e bancos o poder de controlar e centralizar nossa riqueza. Uma forma das pessoas terem acesso a um dinheiro sem a corretagem, burocracia e lentidão dos bancos, assim como, sem a vulnerabilidade e instabilidade que medidas econômicas equivocadas causam ao patrimônio e poder de compra das pessoas.

Sinceramente, não são nem os governos e bancos que me preocupam a respeito do futuro das moedas digitais e sim como farão para conseguir a confiança das pessoas. Uma coisa é trocar bitcoins por drogas, armas ou produtos de pouco valor. Outra, completamente diferente, é entregar seu carro ou sua casa por bitcoins. Não podemos esquecer que o dinheiro só vale alguma coisa porque confiamos e acreditamos nele!

E confiança surge com regras bem definidas, o que na minha opinião significa que para uma moeda virtual se tornar realmente popular é imprescindível que haja regulamentação. Pensem comigo, elas não possuem lastro (em ouro, dólar, yen), não possuem valor intrínseco e, tampouco, um agente garantidor ou regulador que permita às pessoas transacionarem sem medo.

Ela vale o que o “mercado” acha que vale, algo como uma espécie de commoditie virtual. Hoje U$ 10.000,00 (dez mil dólares), amanhã pode chegar aos U$ 50.000,00 (cinquenta mil dólares) ou zero. Simples assim.

E, vai mais além…

bitcoins

Apesar de ser uma aposta, os bitcoins têm algumas diferenças em relação a todas as outras mil moedas que surgem diariamente: (1) são a moeda pioneira e de longe a mais líquida; (2) é escassa, tem um número fixo limitado e (3) se, de fato, tivermos uma moeda virtual oficial, é provável que os bitcoins sejam os escolhidos em detrimento de todas outras.

E foi pesquisando sobre bitcoins que me deparei com a verdadeira grande tecnologia disruptiva que veio para ficar: o blockchain, que é o protocolo por trás das criptomoedas.  Analogamente seria algo como se o blockchain fosse o Banco Central mundial e os bitcoins, o dólar. A estrutura impressionante e poderosa é de fato o blockchain e os bitcoins são apenas uma das possibilidades dentro dessa incrível plataforma.

Essa tecnologia armazena e registra as transações realizadas por criptomoedas de maneira transparente, distribuída, segura e pulverizada. É uma espécie de grande livro de contabilidade pública que reduz a praticamente zero as possibilidades de fraude e corrupção. São milhares de computadores de “mineradores” voluntários que mantém a rede em funcionamento da seguinte forma:

Toda transação realizada é registrada em um bloco e isso vem sendo feito desde a primeira transação realizada em 2009. Esse novo bloco é ligado ao bloco anterior e a validação – desse novo bloco – é feita a cada dez minutos por diferentes computadores no mundo todo. Ou seja, para conseguir alterar um único registro no blockchain seria preciso atacar ao mesmo tempo todos os milhares de computadores que mantém essa rede.

O blockchain é tão impressionante que muitos acreditam que essa tecnologia irá causar uma revolução no sistema financeiro. Ainda maior do que a internet causou no comércio eletrônico e de informações. Para entender melhor, confira esse ótimo vídeo sobre o assunto com legendas em português:

O impacto mundial dos bitcoins

Agora imagine o impacto positivo que os países teriam se os registros dos impostos fossem armazenados no blockchain?

Seria possível rastrear exatamente todo o caminho feito pelo dinheiro, desde o momento do recolhimento do tributo até sua aplicação final, passando pelos órgãos ministeriais e por todos os intermediários que existiram no caminho. Tornaria a corrupção e o desvio de dinheiro uma tarefa que nem os políticos brasileiros seriam capazes de executar.

Outra possibilidade do blockchain é o armazenamento, registro e auto execução dos chamados Smart Contrats (contratos inteligentes). Como o próprio nome sugere, são contratos que, não somente definem as regras e penalidades de um acordo, mas também aplicam automaticamente essas obrigações.

O mais interessante é que nos EUA já existe uma jurisprudência favorável a respeito da validade dos smart contrats e suas cláusulas autoexecutáveis. Enfim, se fosse para apostar, eu diria que o blockchain é uma certeza e vai ser uma realidade muito antes do que as pessoas imaginam. E que os bitcoins continuam sendo uma incógnita que: ou podem se tornar a moeda virtual oficial do mundo, ou deixar de existir.

Tendo a acreditar que em algum momento os governos irão criar sua própria moeda nacional virtual oficial. Puro chute!

Até a próxima,

Gustavo Rigon.

Gustavo Rigon* Gustavo Rigon é colunista e escreve para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso