O futuro a nós pertence: o que podemos fazer no presente para nos preparamos

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O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros.
Alvin Toffler

Você já parou para pensar como é incoerente passar uma vida toda tentando prever o futuro mesmo sabendo ser impossível? Seria algo como se em todo sorteio da mega-sena você ficasse cheio de esperanças de vencer, apesar de não ter comprado um único bilhete.

Pode parecer ilógico, mas não é. Acreditar em previsões é o que fazemos e iremos continuar fazendo “ad eternum” por um motivo muito simples: É essa falsa sensação de controle e de entendimento futuro que nos possibilita acordar todos os dias com alguma esperança.

E não vejo problema algum em otimismo por dias melhores, pelo contrário, considero essencial que assim o seja. O problema é a maneira distorcida como analisamos passado, presente e futuro.

A armadilha de valorizar demais o passado

Shakespeare há mais de 400 anos já dizia: “O passado e o futuro parecem-nos sempre melhores; o presente, sempre pior”. O que estou de pleno acordo. Ontem eu estava assistindo os comentaristas de futebol falando novamente que boa mesmo era a seleção de 82 e que futebol bem jogado era no passado. Será mesmo?

Além de memória muito curta tendemos a supervalorizar o passado, subestimar o presente e superestimar o futuro. A realidade é que geralmente o passado não foi tão bom quanto “recordamos”, o presente não é tão ruim quanto pensamos e o futuro não será esse mar de rosas que pintamos.

Na quinta feira (16/11/17), o programa Roda Viva, colocou no ar, em seu canal no YouTube,  a reapresentação de um debate, na íntegra, ocorrido em 1999 sobre a desvalorização do plano Real. Adivinhem quais as soluções prioritárias para a economia do Brasil àquela época?! Reforma da previdência e ajuste fiscal. Nossa, que surpresa não?!

Confira a seguir:

Quem será capaz de prever o futuro?

A grande verdade é que, desde sempre, todos sabem exatamente o que precisa ser feito: Governo gastar menos, privatizar o que for possível e resolver a Previdência. Eu sei, você sabe. Dória, Bolsonaro, Huck, Lula, Ciro e Marina sabem. Mas, e daí? Será que algum dos presidenciáveis de 2018 têm vontade e capacidade para isso? O curioso é que as previsões pareciam acreditar que sim.

Até começo de outubro, o futuro do Brasil vinha sendo desenhado com bastante otimismo: Bovespa atingindo máximas históricas, juros em queda, ambiente externo favorável e economia dando sinais de melhora. E o que estruturalmente mudou nesses últimos dois meses para essa reversão de otimismo? A priori nada. Não sabíamos o futuro em janeiro da mesma forma que não sabemos em novembro.

Pouco importa o Datafolha insistir em eleger Lula como presidente de 2018. Muita água vai rolar até lá e se, nem os meteorologistas acertam uma previsão para o final de semana, quem dirá institutos “isentos” de pesquisa. Hillary Clinton que o diga.

O que se sabe de antemão é que ano pré-eleitoral costuma ser extremamente conturbado e que possivelmente 2018 será um ano para quem tem nervos de aço e consegue aguentar firme as oscilações de mercado. Certamente, quem não estiver preparado, vai perder dinheiro.  

Todo burburinho que houver antes de outubro de 2018 é somente burburinho. Nosso futuro é traçado com a confirmação do resultado das urnas e, por isso, o rumo do país só vai ser menos turvo após as eleições.

Cenários possíveis

No entanto, não podemos cruzar os dedos e esperar inertes até as eleições, é preciso planejar, antever possibilidades, criar teses prováveis e improváveis dos cenários que podem vir a se concretizar. E já que gostamos tanto de previsões, vamos a elas:

 cenário: É eleito um presidente pró mercado e com força no congresso para aprovar as reformas. O Bull Market (mercado de alta) se confirmaria e os lucros das empresas no Brasil subiriam, em média, mais rápido que outros países no mundo, atraindo capital estrangeiro. Escolher no que investir vai exigir atenção redobrada porque otimismo generalizado na maioria das vezes te faz pagar caro. Grandes altas costumam durar de 6 a 7 anos e correções igualmente grandes (20 a 50%) acontecem no caminho e, portanto, oportunidades existirão.

 cenário: Se ano que vem tivermos um governo de esquerda eleito, essa expectativa muda completamente. Os juros voltarão à casa dos dois dígitos, bolsa derrete, dólar explode e oportunidades de uma vida surgirão. Serão anos difíceis, principalmente os doze meses seguintes à eleição. Por isso, tenha dinheiro em caixa para comprar ações. Em cenário de caos, o que tem se provado mais rentável é aproveitar a turbulência para comprar na bolsa.

Enfim, são previsões como todas outras, sem nenhuma validade objetiva. E, tendo em vista que a tecnologia também ainda não conseguiu criar uma bola de cristal, tudo indica que iremos continuar vivendo num mar de incertezas por um bom tempo. Afinal, que graça teria saber o futuro?

A melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.
Dale Carnegie

Até mais,
Gustavo.

Gustavo Rigon* Gustavo Rigon é colunista e escreve para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso.