Estamos sob o efeito da “ElonMuskinização” de qualidade

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Olá!

O cronograma do último domingo era escrever o artigo e depois assistir Manchester City x Chelsea às 13h, Barcelona x Atlético de Madri às 16:45h, Linense x São Paulo às 19:30h e, por fim, a premiação do Oscar às 21h.

Não deu. São 21h40 e cá estou eu… à procura da palavra perfeita…

A dúvida é: essa lerdeza se dá pela manifesta inexperiência e insegurança ao escrever, ou se, assim como Graciliano Ramos, tenho alguma espécie de TOC?

“Graciliano Ramos era um cara que se torturava em busca de uma única palavra, podia passar dias procurando a palavra certa para botar no lugar certo.” (Reinaldo Azevedo, no programa o É da Coisa exibido em 01/03/2018).

Suspeito que seja um pouco de cada somados ao enorme déficit de “ElonMuskinização” em minhas veias. Tudo que sobra em Elon Musk falta em mim. Me falta determinação suficiente, obsessão suficiente, foco suficiente e, principalmente, coragem para falhar e ser criticado.

A propósito, aqui cabe uma valiosa dica: Assim como os imperdíveis A bola de neve de Alice Schroeder, A marca da vitória de Phil Knight, Tudo ou nada de Malu Gaspar e Agassi de André Agassi, recomendo fortemente que leia Elon Musk de Ashlee Vance.

Voltando. Perceba que em momento algum trato da genialidade, capacidade cognitiva ou intelectual de Musk. Não! Nunca me atreveria a isso. Falo apenas de características que, em tese, dependeriam somente de esforço próprio, afinal de contas, esforço é algo passível de equiparação, certo?

Errado. Ao menos quando o assunto é Elon Musk, inexiste comparação plausível, inclusive no quesito dedicação.

Conheça Elon Musk

Muitos devem estar agora se perguntando, mas quem diabos é Elon Musk? (já que para nossa imprensa o dedinho fraturado do Neymar parece ter muito mais relevância).

Bem, Musk é o sujeito que possivelmente vai mudar o mundo que conhecemos.

É um empresário sul-africano, atualmente dono de três impérios: Solarcity (energia solar), SpaceX (exploração espacial) e Tesla (carros elétricos). Ele também, no mês passado, colocou um carro (Tesla ROADSTER) no espaço acoplado ao foguete mais poderoso já construído pelo homem: o Falcon Heavy. Além do mais impressionante foguete, produz também o mais impressionante carro: Tesla Model S.

O Tesla Model S supera a maioria de todos os sedãs de luxo. Não só em termos de velocidade, quilometragem, segurança, dirigibilidade e espaço para bagagem. Ele acomoda até sete pessoas, funciona com um pacote de baterias elétricas recarregáveis, as atualizações de software para reparos e novos recursos é feita automaticamente e, como se não bastasse deixar de gastar com gasolina, os proprietários também não gastam com concessionária.

Tudo que envolveu o desenvolvimento foi pensado com o objetivo de o cliente nunca precisar levar o carro de volta depois de comprá-lo. E mais um detalhe: Elon Musk está construindo postos de recarga de bateria –  gratuitos – ao redor do mundo.

Estamos preparados?OK, mas e o “keko”? Nós brasileiros não temos interesse em ficção científica, não temos dinheiro para comprar carro elétrico e muito menos para dar uma voltinha em Marte ou na lua. Então, em qual ponto quero chegar?

O ponto é: A revolução causada por Elon Musk transformará por completo, não somente a indústria automobilística, espacial e energética. Seus reflexos em cadeia serão brutais e setores inteiros serão devastados. Pensem nos postos de gasolina ou em fabricantes de motores à combustão…

Será que as empresas brasileiras estão se preparando para um mundo de carros elétricos, autônomos, inteligência artificial, impressoras 3D e tudo o mais que Elon Musk, Jeff Bezos (Amazon) e Larry Page (Google) têm feito?

Tenho minhas dúvidas.

O avanço não pára…

O avanço realmente não pára e fico com a impressão que nossos estimados CEO´S creem fielmente que o “lag” de implementação de novas tecnologias continua o mesmo de décadas passadas. Não raro, alguns deixam escapar nas entrelinhas coisas do tipo: “Temos tempo! Até chegar no Brasil vai demorar mais uns 10 anos”.

Será mesmo?

A verdade é que, inclusive em países extremamente atrasados como o nosso, a disrupção tem acontecido cada vez em intervalo menor de tempo. A dinâmica mudou, não vem mais em doses homeopáticas, e sim, de maneira impactante, irreversível e dando de ombros para o tamanho ou market share da empresa.

Nossa missão é observar de perto e tentar, na medida do possível, desvendar quais serão os setores menos atingidos por essas disrupções tecnológicas e identificar quais são as empresas flexíveis. bem como, atentas às modificações de mercado capazes de se reinventar antes de morrerem.  Empresas, essas, com alguma “ElonMuskinização” correndo nas veias.

Até a próxima,

Abraço!

Gustavo

Gustavo Rigon* Gustavo Rigon é colunista e escreve para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso