2018, o que vem por aí?

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Olá,

Sei que não deveria, mas irei fazer mesmo assim.

Janeiro é mês de tirar a bola de cristal do armário e começar a vomitar previsões e certezas para o ano que se inicia. Afinal, é disso que o povo gosta, não?

Gosta, adora e precisa.

E, assim sendo, seria muita burrice não aproveitar a oportunidade para participar desse maravilhoso jogo ganha/ganha de previsões econômicas. Se acertar, viro gênio, e se errar, nada muda. Que assimetria irresistível!!

Então, vamos as minhas 10 previsões para 2018:

A reforma da previdência não será aprovada em 2018

Foi definido que a reforma será votada após o carnaval e apesar de o governo estar confiante de que ao menos uma “mini “reforma passará, eu discordo.

A pauta é impopular e encontrar 308 patriotas aceitando ter seus nomes ligados a ela em ano de eleição é tarefa para poucos e acho que desta vez nem o Temer consegue. A responsabilidade vai cair no colo do próximo presidente eleito, que independente de quem seja, irá aprovar.

Lula será condenado, mas não preso…

No dia 24 de janeiro o TRF4 irá condenar Lula que se tornará inelegível. Os especialistas têm cravado um 3 a zero matador e o mercado vem precificando desta forma.

Prevejo um voto divergente ou um pedido de vistas que irá acionar o “Joesley’s mode” nos mercados com muito pânico e quedas abruptas. Depois tudo volta ao normal.

O Datafolha e institutos de pesquisas irão errar as previsões

Prevejo que, assim como no Brexit, nas eleições americanas, nas últimas eleições municipais e presidenciais os institutos de pesquisas irão errar, e por muito. (Essa foi para evitar de eu errar 10 de 10 previsões).

Teremos um candidato de centro eleito Presidente

Assim como aconteceu na França, minha aposta é que nenhum dos extremos sairá vitorioso nessas eleições. Prevejo que algum candidato de centro pró reformas, privatista e com responsabilidade fiscal irá aparecer e se elegerá com facilidade.

Economia brasileira melhor em 2018

As eleições começam de verdade no dia 15 de agosto de 2018, prazo final para partidos registrarem seus candidatos e que de fato, saberemos nossas opções. PIB crescerá 3%, desemprego diminuirá e famílias voltarão a consumir. A economia em 2018 dará sinais mais claros da retomada positiva que iniciamos pós impeachment.

Os lucros das empresas no 4º trimestre de 2017 já demonstrarão a grandeza da melhora. Resultados começam a ser divulgados em fevereiro. Varejo deve vir forte.

Bitcoin valerá zero

O Bitcoin foi concebido para realizar pagamento de pessoa para pessoa, de maneira descentralizada, sem a presença de um terceiro como autoridade central reguladora. Pois bem, hoje só serve para especulação.

O sistema é ineficaz, lento, com custo alto e fatalmente será superado por novas tecnologias. Se o FED criar o criptodollar a derrocada do Bitcoin será ainda mais fulminante. Lucre enquanto for possível, mas cuide para não ser o último a perceber sua morte.

Aumento da inflação americana

Após longos anos praticamente sem inflação, finalmente a inflação americana dará o ar de sua graça e aparecerá em 2018. O FED irá aumentar os juros para algo entre 2,5% e 3% a.a., e consequentemente os mercados emergentes perderão liquidez. O dólar valoriza e as bolsas caem no mundo todo.

Ano de ótimas oportunidades na Bolsa brasileira

O mercado de ações foi o melhor investimento de 2016 (+38,94%) e também foi o melhor investimento de 2017 (+26,86%). Fato é que ficamos caros e, aos patamares atuais, não encontro oportunidades de compra com margem de segurança e assimetria convidativa nas empresas que considero excelentes.

Logo, venho surfando as enormes altas sem novas aquisições e tenho feito caixa (pós fixados com liquidez diária) para respostas rápidas as oportunidades atípicas que somente 2018 será capaz de proporcionar.

Seria chover no molhado lhes dizer que anos eleitorais são extremamente voláteis para o mercado de ações, mas minha previsão é que esse ano irá ser especialmente volátil.

Bolsas em todo mundo registrando altas históricas, incertezas políticas, inflação americana, reforma da previdência, diminuição do rating brasileiro, tudo isso sem contar a possibilidade de no dia 24 dar alguma zebra e o Lula vir a concorrer nas eleições.

Gatilhos para quedas bruscas não faltarão e, portanto, fique atento e aproveite sem moderação! Será possível, com liquidez e paciência, comprar ótimas empresas, a ótimos preços para o longo prazo.

Não teremos guerra em 2018

Minha previsão é de que não teremos guerra em 2018. Ao menos não uma em que os EUA ou alguma potência mundial esteja envolvida. Começo a me preocupar com uma guerra a partir de metade de 2019 quando as reeleições de Trump passam a precisar de um motivador de votos.

Alguma seleção europeia será campeã da Copa do Mundo

Essa é uma previsão mais baseada em historicidade fática do que em intuição ou torcida. Com exceção da vitória do Brasil na Suécia em 1958, todas outras copas com sede na Europa foram vencidas por seleções europeias.

A Rússia não é bem uma sede europeia, mas é quase isso e infelizmente os países latinos costumam se dar muito mal no velho continente. Alemanha, Bélgica e França são minhas favoritas.

Recado importante: Apesar de minha excepcional capacidade de prever o futuro politico, econômico e futebolístico, tenho obrigação de informar que em 2018 o mundo continuará ininteligível, e que, quando você menos esperar, haverá uma surpresa completamente fora do radar que vai mudar absolutamente tudo o que sabiamente previ.

Conclusão

E por fim, deixando um pouco as brincadeiras de lado, minha proposta é que você faça um exercício de reflexão nesse começo de ano e se permita, imaginar as possibilidades existentes pós eleição. Dependendo do candidato eleito, a partir de 2019 podemos ficar mais próximos de nos tornar um Chile ou mais próximos de nos tornar uma Venezuela. A linha é tênue e 2018 é o ano de decisão. Esteja preparado para as duas situações.

Desejo um ótimo 2018, com muita saúde e sucesso nos investimentos!

Grande abraço,

Gustavo Rigon.

Gustavo Rigon* Gustavo Rigon é colunista e escreve para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso