A festa do CDI acabou: taxa Selic sai dos dois dígitos

Tempo de leitura: 5 minutos

*Por Gustavo Rigon

Ufa, reduzimos a barreira dos dois dígitos! Reunião do Copom da última quarta-feira (26/07) abaixou a taxa Selic de 10,25% para 9,25% e projeta 8,5% ao final de 2017. Minha bola de cristal, tão ineficaz quanto todas, prevê algo entre 7,5% e 8%. Dedos cruzados.

Seremos, portanto, um país civilizado em um futuro próximo, certo? Não creio.

Passamos os últimos dez anos em coma, desacordados, e agora estamos voltando a engatinhar. Ficar parado no tempo é ruim, mas regredir uma década é incalculável. Só o tempo nos mostrará com exatidão o tamanho dos estragos causados pelos governos populistas que tivemos.

É hora de nos reinventarmos

Temos que nos reinventar e, para tanto, sugiro nos espelharmos em países como o Chile e não mais em Cubas, Venezuelas e Bolívias. Aliás, proponho uma estratégia: toda atitude que esse triunvirato tomar, seja política, social ou econômica, tomamos exatamente a postura oposta. Prosperidade na certa!

O Chile nada de braçada à frente de seus pares latinos quando o assunto é desenvolvimento e crescimento econômico. Sua taxa básica de juros é mantida em 3,5% a.a. há algum tempo. Um espetáculo! Já o Brasil, apesar dos cortes de juros realizados nos últimos meses, continua sendo dos países com as maiores taxas do mundo.  

Confiança voltando

taxa selic - confiançaE não falo isso menosprezando o que vem sendo feito pela nossa equipe econômica. Pelo contrário. Aplaudo-os veementemente.

O “Dream team” encabeçado por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, além de muito mais capacitado e competente do que seus antecessores, é também muito mais confiável. Acredite, amigo, para os agentes de mercado, assim como nos relacionamentos amorosos, confiança é tudo.

E precisamos nos aproveitar dessa confiança. Ninguém confia no governo Temer, e nem deveria, mas na equipe econômica, sim. O Brasil está caminhando para taxas de juros cada vez menores, talvez a patamares nunca vistos e o que acontece quando os juros caem? Investidores correm para a renda variável.

Mercado de alta à vista

Não estou inventando ou concluindo da minha cabeça, esse fenômeno ocorre desde sempre no mundo inteiro e não creio que aqui será diferente. Estamos prestes a viver um Bull Market (mercado de alta) e minha intenção é fazer com que você não seja o último a perceber. (Nesse vídeo o Marcello fala sobre a tendência de alta)

Economia crescendo e o consumo voltando, as empresas listadas em bolsa tendem a explodir seus resultados e cotações. Os releases do segundo semestre de 2017 que começaram a ser divulgados essa semana já projetam melhorias significativas à frente. WEG bem, Renner bem, Fleury bem. Aguardo ansiosamente pelos próximos.

Os números não mentem

taxa selic - oportunidadesE o que me faz ter todo esse otimismo enquanto todos estão tão pessimistas?

Simples. O fato de ter acompanhado atentamente o mercado de ações durante esses últimos quase quatro anos de recessão (a maior de nossa história) e, de certa forma, vivenciado na pele o caos que nossas empresas tiveram que enfrentar.

Os números não mentem, podem não servir como garantia futura, mas não mentem. Elas tiveram que se adaptar à nova realidade brasileira, cortando custos, diminuindo drasticamente investimentos, perdendo clientes, lucrando menos e conseguiram.  Não todas, é verdade, mas muitas conseguiram lidar com o pior de uma maneira digna de elogios.

O que me leva à uma conclusão lógica: se conseguiram sobreviver razoavelmente bem na pior situação imaginável, indubitavelmente terão melhoras significativa em condições mais favoráveis. Lucros à vista!

Veja nesse artigo: qual o melhor momento para comprar e vender ações.

Fique de olho nas oportunidades

taxa selic - oportunidadesPorém, temos um pequeno problema. As ações já se valorizaram demais desde 2016 e parecem caras. Não posso negar, de fato parecem. Mas tentem ir um pouco além da obviedade contida nos gráficos de cotações e pensem o seguinte:

As empresas vêm tendo nos últimos anos resultados pífios, logo, lucros igualmente pífios. E lucro é um dos fatores preponderantes para determinar o quão cara ou barata a empresa está sendo cotada.

Por exemplo P/L (preço da ação dividido pelo lucro por ação), que indica quantos anos levaríamos para reaver o valor investido, pode estar parecendo alto agora, mas vai parecer ridiculamente baixo a partir do momento que os lucros aumentarem. Denominador maior, resultado menor. Matemática básica. Ou seja, num piscar de olhos aquela empresa muito cara passa a ser uma barganha.

Minhas ressalvas

Como nem tudo são flores, tenho ressalvas muito importantes a serem feitas:

  1. Caso não seja aprovada uma reforma da previdência minimamente viável, esqueça tudo que falei;
  2. Caso aconteça uma crise externa de grandes proporções, o que acho improvável, esqueça tudo que falei;
  3. Caso tenhamos um governo de esquerda ou populista eleito em 2018, esqueça tudo que falei.

Pense com carinho a respeito porque a hora é agora e não adianta esperar tudo ficar muito claro. Quando as coisas ficarem claras ao ponto de ninguém mais ter dúvidas é porque não se tem mais o que lucrar. Pense nisso!

Gustavo Rigon

Grande abraço,

Gustavo Rigon.
*Gustavo Rigon é colunista e escreve semanalmente para este blog e para a newsletter Investidor de Sucesso.